Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Quando for grande quero ser nórdico

Em qualquer estudo que seja feito a nível europeu, os números dizem-nos sempre a mesma coisa: se se tratar de alguma coisa boa, os países nórdicos estão sempre à frente e Portugal é o último; se se tratar de uma coisa má, Portugal lidera a tabela e os países nórdicos aparecem na cauda da mesma.
É curioso que seja logo Portugal o intestino (cheio de merda) da Europa. Um país em que todos os membros do governo são licenciados, ao contrário da Suécia, em que nem metade deles o são. Por isso é que temos que chegar à conclusão que a estatística não vale um corno. O governo português mostra-se sempre preocupado com a dita estatística, porque é a única coisa a que se pode agarrar, e com ela ainda vai enganando uns milhões de papalvos, que é uma espécie abundante em Portugal. Neste país, em que tudo é estatística, o ministério da educação (não tem direito a maiúsculas), juntamente com umas associações de parasitas chamadas pomposamente de Associações de Pais, faz tudo para obrigar escolas e professores a aprovar o maior número de alunos possível. O resultado é o que se vê: gente que faz o 12º ano sem saber ler nem escrever. Já que os deixaram fazer o 12º ano, e como até abundam universidades privadas de duvidosa qualidade onde o importante é ter dinheiro para pagar a mensalidade, aproveita-se e faz-se um cursozito superior. “Et voilá”, os empregados de caixa dos supermercados que digam quantos clientes lhes passam nas caixas por dia a ostentar títulos como Dr ou Eng no cartão Multibanco. Sim, que em Portugal toda a gente tem que ficar a saber a que título é que temos direito, e como se riam se ostentássemos o tal título na testa, então pomo-lo no cartão de débito ou de crédito e nunca gastamos o dinheiro que temos no bolso, que assim os empregadotes das lojas (alguns deles também licenciados mas sem direito a ostentação do título) ficam a saber quem nós somos.
Muitos desses doutores e engenheiros matarruanos chegam ao poder. Nos países nórdicos, pelo contrário, chega-se lá por mérito e quase não há pobres nem ricos. Média-alta ou média-baixa, a verdade é que lá abunda a classe média.
Então, porque é que os suecos têm uma tão alta taxa de suicídio? Deve ser por causa do frio. Eu próprio, em Portugal, quando saio de casa em Janeiro e me esqueço de levar casaco fico com tendências suicidas. Mas há ainda outro factor importante: em Portugal, quando estamos irritados, vamos ao nosso blogue e dizemos umas verdades sobre os corruptos que nos desgovernam. Insultamo-los, pois, libertamos assim alguma da nossa raiva, e isso faz com que evitemos males maiores. Os suecos, pelo contrário, quando estão irritados com alguma coisa, vão insultar quem, se não têm motivos para tal? Isso deve ser tão frustrante, que leva ao suicídio. Mesmo assim, quando for grande quero ser nórdico.

Macaco Adriano

1 Comments:

Blogger Vitor Vieira said...

Adorei essa retórica.... realmente, quero ser nórdico, e vir de férias a portugal também.
um abraço

4:57 AM  

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